sexta-feira, 3 de julho de 2009

É por estas e por outras...


... que eu detesto ver debates da Assembleia. E não só. Aquilo é um autêntico circo de insultos. Sempre floreados, pois claro, senão correm o risco de ter de fazer o mesmo e deixar o lugar. Porque foram "mal-educados". Por favor... Que hipocrisia. Estão constantemente com as ofensas de todo o tipo e ainda se riem em conjunto das piadinhas, batem palmas e apoiam!


A democracia em Portugal deixa MUITO a desejar... Pois deixa! A julgar pelo que vemos todos os dias, não admira... Leiam a seguir...


"Portugueses desconfiam do poder político

Democracia em Portugal deixa muito a desejar

2009/07/03 13:01 Carla Pinto Silva

Estudo da SEDES revela que descrédito da justiça é o maior problema. Mas Campos e Cunha não acredita que a democracia «esteja desacreditada»51% dos portugueses dão nota negativa à democracia, em Portugal, muito devido ao descrédito em relação à Justiça. A maioria acredita que esta área trata ricos e pobres de forma desigual e mais de metade dos cidadãos mostra-se pouco ou nada satisfeitos com o regime político português. Mas também há críticas quanto ao trabalho dos deputados.

São as principais conclusões do estudo «A Qualidade da Democracia em Portugal: A Perspectiva dos Cidadãos», que está a ser apresentado esta sexta-feira e que foi promovido pela Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES).

51% dão má nota

16% dos inquiridos dizem-se «nada satisfeitos(as)» com a democracia e 35% estão «pouco satisfeitos(as)». Ou seja, 51% dos cidadãos ouvidos não estão satisfeitos com a qualidade da democracia portuguesa. Já 37% dizem-se «algo satisfeitos (as)», 9% revelam estar «bastante satisfeitos(as)» e apenas 2% garantem, a pés juntos, que estão «totalmente satisfeitos(as)», pode ler-se nas conclusões do estudo.

O ex-ministro das Finanças e actual membro do Conselho Coordenador do SEDES, Luís Campos e Cunha, revelou, em jeito de balanço, que não acredita «que a democracia esteja desacreditada».

«Estamos numa democracia madura, mas não desacreditada. Penso que hoje as pessoas estão mais exigentes e querem ser mais ouvidas. Mas há um forte descrédito da Justiça sobretudo. Ainda assim percebemos que acreditam nas eleições. Penso que este estudo não revela um cenário assim tão negro», defendeu, antes de frisar que «os cidadãos mais velhos estão sempre mais satisfeitos do que os jovens», isto porque «conheceram em tempos uma alternativa».

Justiça trata ricos e pobres de forma desigual

Mais: de acordo com o estudo 82% dos inquiridos acredita que a Justiça trata ricos e pobres de forma desigual. A maioria dos cidadãos nem sequer se sente estimulada a recorrer aos tribunais para se defender, tal é o descrédito. 79% dos inquiridos ouvidos sublinham que a Justiça trata de diferente forma políticos e cidadãos e 37% defendem que os juízes não são independentes do poder político.

«Os portugueses mostram ainda desconfiança no que diz respeito ao poder político e olham com insatisfação para o trabalho dos deputados, dos políticos», revelou o autor do estudo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Pedro Magalhães, no IV Congresso da SEDES, que decorreu esta sexta-feira, em Lisboa.

Mas vamos a contas. Do total dos portugueses inquiridos, 23% acredita que as decisões do Executivo são condicionadas pela vontade de outros países. Já 43% consideram que o poder político não está protegido das pressões do poder económico. 60% acredita que governantes não têm em conta as opiniões dos cidadãos e 75% diz que quem está no poder pensa primeiro no seu interesse pessoal do que nos portugueses.

Espanha menos negativa

São números pessimistas face a vizinha Espanha, revela Pedro Magalhães. «A distância dos cidadãos portugueses em relação ao poder político é maior em Portugal do que em Espanha. Os portugueses consideram que quem está no poder rápido perde o sentido de se preocupar com os outros. Em Espanha, essa ideia não é tão acentuada», advogou.

Já a confiança no Presidente da República mostra outra realidade. 49% dos inquiridos acredita em Cavaco Silva para travar abusos de poder por parte do Governo e 21% até reconhece o papel do Provedor de Justiça.

Este inquérito foi feito entre os dias 13 e 23 de Março deste ano. Foram ouvidos 1.003 inquiridos, com 18 ou mais anos, residentes em Portugal Continental, seleccionados através do método de quotas, com base numa matriz que cruzou as variáveis sexo, idade (5 grupos), instrução (2 grupos), ocupação (2 grupos), região (7 regiões GFK Metris) e habitat/dimensão dos agregados populacionais."

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